Jo - Saravá Vinicius
A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete.
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete.

Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

Vinicius de Moraes

5 Comments:
A primeira foto é muito ilustrativa deste poema tão belo e tão traiçoeiro... Esse ser que é todos e que não o é. Ele é alguém, mas alguém que não é o mesmo ao longo do poema, mas no fim ele é todos de novo. Ele é quem não quer ser ou é quem nós queremos que seja, para sermos o que somos sem a preocupação com aquilo que não queremos ser?
O comentário é o poema é a fotografia é o poema é o comentário...
Pouca gente terá a Alegria pela vida que o Vinicius tem. Sem dúvida que também tu és uma pessoa assim. Sente-se isso. Penso que a adequação das fotos foi feita num tom demasiado literal, mas gostei. Talvez pela minha "paixão" pelo reflexos, e teorias de espelhos, considero a segunda foto a melhor do set. Mas tenta colocar as imagens a abrir em grande, e a primeira assume-se como uma forte candidata também!
Para começar por algum lado, começo com a boa ilustração que as fotos fazem do poema, só é pena não haver uma foto de alguém que não ama... será que há alguém?
Pegando nesse ponto arrisco, criando controversia, dizer que é um poema sobre nada. É muito difícil acreditar que alguém não ame, muitos não sabem(os) e existem tantas formas de o fazer e mostrar... que às vezes podemos subvalorizar ou não reconhecer.
Não acho de todo que seja impossível alguém não amar. Há pessoas que só gostam, não amam nada(embora possam pensar que sim). Mas o difícil não é amar. O difícil é aceitar que para amar, só serve o pleno: amar plenamente, sem ter medo de ficar só, de ferir e de ser ferido. Arriscar, para que a capacidade de amar não murche.
então, se eu pensar que amo, na realidade posso não amar?
Se para amar é necessário existir essa cegueira que mencionas... a inexistência de medos e de receios, não será uma versão demasiado Kamikaze do amor?
se, por algum motivo, crias esses medos e receios, que te impedem de amar verdadeiramente alguém, tal não significará que, acima de tudo, estás a proteger o teu amor? Não o querendo dar a quem não merece?
Ainda que egoísta, penso que tal não retira a vontade e capacidade de amar de uma pessoa. Pelo contrário,a pessoa protege-se - o que não deixa de ser uma espécie de amor pela tua alma!
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